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Expedição Transamazônica Agosto/2018

Foto do escritor: PK GrilloPK Grillo

1º dia – Brasília-DF/Porto Nacional-TO (04/08/2018)


A transamazônica sempre foi um sonho, um desafio a ser conquistado e que hoje começamos a desbravar. O Gilberto começou ontem, saindo de Belo Horizonte, pousou em Luziânia.

Pois bem, vamos ao relato dos fatos...

Acordei cedo, eram 5:30h da matina, mas como de costume havia muita coisa para arrumar e minha partida se deu às 10:00h. Tarde para quem pretendia rodar quase 1.000km.

A viagem foi tranquila, sem imprevistos, almocei em São Gabriel de Goiás, acompanhei um passeio ciclístico na Chapada dos Veadeiros e um Desfile de Cavaleiros em Conceição do Tocantins.

Cheguei em Porto Nacional no anoitecer e hospedei no Hotel Alvorada, o Gilberto havia chegado um pouco mais cedo, mas como meu celular não dava sinal, só consegui fazer contato com ele depois que acessei o wi-fi do hotel, aí combinamos de nos encontrar na manhã seguinte.


Pôr-do-sol a caminho de Porto Nacional


2º dia – Porto Nacional-TO/Marabá-PA (05/08/2018)


Logo cedo encontrei com o Gilberto e saímos às 7:00h de frente ao hotel em que hospedei. Passamos em um posto de combustível para abastecer.

Paramos para almoçar por volta dar 11:00h e conhecemos um caminhoneiro, o seu Antônio, conversamos e recebemos algumas dicas.

Atravessamos o rio Araguaia de balsa e no final do dia chegamos em Marabá. O calor foi insuportável com temperatura acima dos 40°C.


As máquinas, a balsa sobre o rio Araguaia, calor insuportável e um belo pôr-do-sol


3º dia – Marabá-PA/Altamira-PA (06/08/2018)


Nunca, nunca, nunca mexa na câmera quando estiver pilotando em uma estrada de terra e for passar sobre uma ponte de madeira.

Saímos às 7:00h, deixamos Marabá e fomos com destino a Altamira. Pegamos um pouco de terra, 70km ao todo e cometi um deslize e inaugurei a série de tombos 2018.

Paramos em Novo Repartimento para consertar o espelho da moto que havia quebrado no tombo, e aproveitamos para almoçar. Foi um dia com calor infernal e por diversas vezes paramos para hidratar.

Chegamos em Altamira às 17:30h, cumprindo assim nosso objetivo do dia. Amanhã acabará de vez o asfalto, só nos resta agora esperar e torcer para que consigamos cumprir a missão.


Marabá, Novo Repartimento e travessia do rio Xingu


4º dia – Altamira-PA/Rurópolis-PA (07/08/2018)


Saímos de Altamira às 7:30h, tiramos uma foto à beira do rio Xingu e partimos rumo a Rurópolis, fizemos uma boa viagem, percorremos por caminhos alternando entre asfalto e terra. No mais, apenas um momento em que o Gilberto buzinou, solicitando que parássemos, foi quando freei, e ele bateu em meu baú lateral, desequilibrou e caiu.

Chegamos em Rurópolis às 15:00h e o Gilberto notou uma pane elétrica em sua moto, fomos então no melhor mecânico do vilarejo. Nada que umas boas marteladas não resolvam.

Nos hospedamos em um hotel, e nos disseram que havia um piquete na saída da cidade, pois os moradores exigiam o asfaltamento da estrada. O horário de abertura do piquete era as 6:00h da manhã, meio dia e às 18:00h, sabendo disso nos programamos para acordarmos bem cedo no dia seguinte.


À margem do rio Xingu, fim do asfalto, Gilberto no mecânico, Rurópolis


5º dia – Rurópolis-PA/Itaituba-PA (08/08/2018)


Mais cedo que o piquete.

Acordamos às 4:30h da madrugada para podermos sair de Rurópolis às 5:30h, não que não gostássemos da cidadezinha, que mais parece cenário de um filme de faroeste, mas precisávamos passar pelo piquete.

Pois bem, tínhamos a informação que o piquete abria de 6 em 6 horas e para não ficar até meio dia esperando, resolvemos partir mais cedo e passamos por lá no horário das 6:00h.

Uma vez que passamos, seguimos viagem e sem dúvidas foi o pior trecho que já pegamos até aqui. Paramos em um local pois estava sendo realizada obras em uma ponte de madeira.

Após cerca de meia hora, liberaram a passagem e seguimos viagem rumo a Fordlândia.

Ocorreu um lapso de orientação, porém conseguimos encontrar a entrada, percorremos mais de 48km de carroçal e chegamos a um cenário fantástico, construído no início do século XX.

Percorremos toda a cidade, porém não conseguimos entrar na fábrica pois estava em obras. Quando vimos, já estávamos cogitando a possibilidade de ir para Itaituba de barco, mas desistimos, pois, pensamos no trabalho que daria para colocar as motos em cima do barco.

Voltamos à BR230 e seguimos rumo ao nosso destino do dia. Porém, no meio do caminho percebi que meu baú traseiro estava fazendo barulho e o amarrei com elásticos. Ao chegar na cidade, levei a moto no mecânico.


Nascer do sol na BR230, Fordlândia, baú solto, balsa sobre o rio Tapajós e o pôr-do-sol


6º dia – Itaituba-PA/Jacaréacanga-PA (09/08/2018)


Sabendo que hoje percorreríamos mais de 500km de carroçal, nome dado para estrada de terra por lá, saímos bem cedo a ponto de não tomarmos o café da manhã. Não adiantou muito, pois após 15km rodados o pneu traseiro da minha moto furou, acho que foi por causa de uma pedra.

O saldo foi que tentei colocar espuma, mas ela vazou toda pelo furo, então percebi o tamanho do estrago, minha câmara de ar tinha rasgado.

Nesse momento conhecemos três motociclistas que pararam perguntando se precisávamos de ajuda, eles iam no mesmo rumo que nós. Seus nomes eram Vander, Marcos e Juan Carlos, esse último, venezuelano.

Decidi então voltar para a cidade e trocar o pneu, e assim foi feito. Voltei no mesmo mecânico que havia consertado o baú no dia anterior.

Com o atraso devido ao pneu trocado, passamos a pilotar freneticamente e paramos para almoçar em um restaurante próximo a um garimpo, não havia mais comida, mas pelo menos conseguimos combustível. O combustível era vendido por galão.

Continuamos pilotando e pegamos um trecho com chuva, daí a terra virou lama, levamos vários tombos e por fim paramos na cidade de Jacaréacanga.


Pneu furado, conserto do pneu, Amigo Garimpeiro e uma bela paisagem

7º dia – Jacaréacanga-PA/Santo Antônio do Matupi-AM (10/08/2018)


Partimos logo cedo de Jacaréacanga, levei mais uma queda, vários sustos, uma pane e após 14 horas de viagem e 504km percorridos em estrada de terra, chegamos em nosso destino.

Sem falar que presenciamos um belo pôr do sol e atravessamos duas balsas, uma sobre o rio Sucunduri e outra sobre o rio Novo Arapuanã.

Ao chegarmos em Santo Antônio do Matupi, hospedamos no mesmo hotel que os outros três motociclistas que conhecemos no dia anterior, durante o jantar conversamos e trocamos experiências.


Queda da moto, remendo na bota, boiada na pista, balsa no rio Aripuanã e pôr-do-sol


8º dia – Santo Antônio do Matupi-AM/Realidade-AM (11/08/2018)


Acordamos às 6:00h, tomamos o café e partimos de Santo Antônio do Matupi e seguimos direção a Humaitá.

A viagem seguia tranquila, quando em um dado momento ao passarmos por uma ponte, o Gilberto avistou nossos amigos de estrada parados lá embaixo no rio, eles já estavam saindo, então foi a nossa vez de entrar na água para refrescar.

Ficamos ali por volta duns 40 minutos, depois seguimos em frente e sem surpresas chegamos na balsa para atravessar o rio Madeira.

Depois da travessia chegamos a Humaitá, estava um calor infernal então aproveitamos para ir em uma sorveteria. Depois disso seguimos em direção a Realidade.

Concluímos nossa aventura na BR230, a tão sonhada Transamazônica e começamos nova jornada, agora na BR319, a “Rodovia Fantasma”.

Logo que começou a estrada de terra, começou a chover, mas conseguimos chegar em Realidade. Fomos ao único posto da região abastecemos até o talo, cada litro seria importante no dia seguinte, nos hospedamos na Pousada Vitória e jantamos no Restaurante da Regina.


Banho de rio, balsa sobre o rio Madeira, motos em Humaitá e Realidade


9º dia – Realidade-AM/Urbano-AM (12/08/2018)


Saímos de Realidade às 6:45h e nosso destino inicial era Manaus e já sabíamos que iriamos pegar um longo trecho sem local para abastecer. Próximo a metade do caminho o pneu traseiro da moto do Gilberto furou, passou um caminhão oferecendo ajuda, mas o desafio de consertar o furo foi maior. Gastamos umas quatro horas, mas conseguimos.

No final, quando já estávamos guardando as ferramentas, fomos surpreendidos por um ataque, era um enxame de abelhas. Só deu tempo de colocar o capacete, ligar a moto e sair em disparada, só paramos uns 5km depois em uma torre da Embratel, aproveitamos para beber água e guardar as coisas direito.

Depois voltamos para a estrada, passando por diversos atoleiros e inclusive em um deles havia um caminhão literalmente encalhado. A carroceria estava amarrada com cordas para não tombar e o caminhoneiro já estava lá a dois dias esperando resgate e sobrevivendo com doações.

Chegamos à balsa de Urbano para atravessar o rio Igapó Açu, porém ao saber a distância do próximo lugarejo, decidimos nos recolher e só seguir para Manaus no dia seguinte.

Nos hospedamos então em uma palafita, que além de pousada era restaurante e aproveitamos para jantar ali mesmo.


Pneu furado, a espuma falhou, Pedro passando as instruções e Gilberto trocando a câmara de ar


BR319, o caminhoneiro à espera de socorro, Pedro e Gilberto na palafita


10º dia – Urbano-AM/Manaus-AM (13/08/2018)


Saímos de Urbano com destino a Manaus, após rodarmos aproximadamente 50km, o pneu dianteiro da minha moto furou.

Fizemos todo o procedimento necessário para esse momento, primeiramente procuramos uma sombra, em segundo lugar ligamos a caixa de som, muito útil para levantar o moral, daí para frente foi o de praxe. Como eu não tinha levado a chave para retirar a roda dianteira, não pude trocar a câmara de ar, então a solução era consertar o furo com a roda na moto. Tirei o pneu da roda e puxei a câmara de ar para fora, achei o furo e colei um remendo.

Cometi um erro que até então eu não sabia. Na hora de colocar a câmara e montar o pneu, apertei demais a porca que vai no bico da câmara de ar, esse foi meu erro. Enchi o pneu e saímos, mas depois de uns 30km o pneu furou novamente, bem no bico da câmara de ar.

Como eu não tinha a chave para tirar a roda dianteira, o Gilberto foi buscar ajuda. Em um certo momento, achei que que estava demorando demais, e decidi rodar com o pneu furado.

Rodei uns 40km até encontrar o Gilberto, que estava voltando com o resgate. Fui guinchado então por 7km até chegar em Castanho, onde consertei o pneu da moto para seguir viagem.

Uma hora e meia depois chegamos no porto e atravessamos rio Amazonas para chegar em Manaus.



11º dia – Manaus-AM/Manaus-AM (14/08/2018)


Pela manhã, levamos as motos para lavar e depois no mecânico para fazer manutenção básica após encarar a transamazônica e a BR319, troquei o óleo, filtro de óleo, mas não consegui comprar o filtro de ar. Aproveitei ainda para trocar o pneu dianteiro e o retentor da suspenção.

Regressamos por volta das 14h e fomos ao flutuante Abaré, onde passamos a tarde. A noite encontrei com meu amigo Minduim e saímos para tomar um chopp.



12º dia – Manaus-AM/Manaus-AM (15/08/2018)


O dia foi de passeios em Manaus.

Começamos indo ao Mercado Municipal, onde tomamos um café da manhã, em seguida contratamos um passeio para diversas atrações. Pegamos um barco com umas 20 pessoas e visitamos uma tribo indígena, vimos a vitória régia e passeamos pelo meio da floresta, só não vimos o boto, pois o IBAMA estava restringindo esse passeio, no final fomos ao encontro das águas, local onde se encontram o rio Negro com o rio Solimões, formando o rio Amazonas

Depois disso, demos uma volta no centro e visitamos o Teatro Amazonas, muito bonito por sinal. Para finalizar os passeios, fizemos um tour de ônibus com um guia narrando os pontos em que passávamos.

A noite fomos na casa do Minduim e fizemos um churrasco.




13º dia – Manaus-AM/Boa Vista-RR (16/08/2018)


Deixamos Manaus para trás e após três dias partimos para Boa Vista.

A viagem não foi fácil, embora a estrada fosse asfaltada e em bom estado de conservação, com um ou outros buracos isolados.

Os mais de 800km que separam as duas capitais pesaram, principalmente por causa do forte calor. Cruzamos a Reserva Indígena Waimiri Atroari, cruzamos também a Linha do Equador e passamos a viajar no hemisfério norte e o inverno automaticamente passou a ser verão, o que na prática não mudou nada, continuou calor do mesmo jeito.

Na chegada a Boa Vista, encontramos um caminhoneiro que conhecemos na estrada, a cidade estava lotada de venezuelanos por todos os lados.

Hospedamos em um hotel que não tinha garagem, mas o dono deixou a gente guardar as motos na lavanderia do hotel.




14º dia – Boa Vista-RR/Bonfim-RR (17/08/2018)


Ainda em Boa Vista fomos no Consulado da Guiana, para pegarmos a permissão para dirigir naquele país.

Em seguida sacamos dinheiro e fomos resolver nossas panes. O Gilberto reclamava do banco da Lander, foi a um capoteiro para colocar uma nova espuma. Já eu fui a um mecânico para trocar a relação da moto.

Saímos de Boa Vista ao meio dia e chegamos na fronteira um pouco antes das 14:00h. Fizemos o trâmite no Brasil e fomos para a Guiana.

Chegando lá, passamos por um trevo em que entramos na mão brasileira e saímos na mão inglesa, pois é a regra por lá.

Passamos por uma barreira sanitária em que fomos literalmente pulverizados com sabe-se lá o quê...

Nosso trâmite para a entrada na Guiana foi um calvário, principalmente para conseguir achar um local que tirasse cópias.

Terminamos os trâmites por volta das 17:00h e já era tarde para seguir viagem para a próxima cidade.

Fomos então a uma casa de câmbio, e troquei meus reais por dólares guianenses. Depois foi a vez do Gilberto e então ele me disse que não havia sacado dinheiro suficiente lá em Boa Vista.

Voltamos para o lado brasileiro e fomos para Bonfim, para que o Gilberto pudesse sacar dinheiro. Eu já estava puto, pois como é que nós fomos no banco pela manhã em Boa Vista para sacar dinheiro e ele me diz que não sacou dinheiro suficiente.

Chegando em Bonfim, não havia agência bancária, apenas um caixa eletrônico que ficava na prefeitura e estava fechada.

Fomos então a um posto de gasolina tentar passar o cartão para sacar em dinheiro, mas o dono do posto não quis.

Conseguimos então ir em um supermercado, o dono aceitou, e cobraria 20% do valor sacado. Mas o Gilberto não tinha escolha, era isso, ou voltar para Boa Vista. Para piorar a situação, o cartão do Gilberto não passava de jeito nenhum, então tive que passar o meu cartão para socorrê-lo.

Nos hospedamos em um hotel lá em Bonfim mesmo, e o dono do hotel nos passou algumas dicas da Guiana e nos passou também o contato do Geleia para caso precisássemos de qualquer coisa em Georgetown ele resolveria.



15º dia – Bonfim-RR/Rio Essequibo-GUI (18/08/2018)


Saímos de Bonfim às 7:00h, como já havíamos feito os trâmites no dia anterior, apenas precisamos passar na barreira sanitária após cruzar a fronteira.

Nosso objetivo era difícil, chegar à capital Georgetown. Não foi possível, pois nos deparamos com diversos desafios, atoleiros, savana, floresta, balsa, enfim, fomos só até metade do caminho. Rodamos pouco mais de 200km e paramos em uma pousada logo após atravessarmos de balsa o rio Essequibo.

Um detalhe, essa balsa só é paga no sentido Linden-Lethem, e o ticket só é vendido em Georgetown. Como estávamos indo de Lethem para Linden não pagamos.

Jantamos na própria pousada e às 20:00h o gerador foi desligado e ficamos assim sem energia elétrica.



16º dia – Rio Essequibo-GUI/Georgetown-GUI (19/08/2018)


Eram 5:45h da manhã quando saímos da pousada e sem dúvidas esse foi o dia mais difícil até aqui. Faltavam mais de 300km para chegarmos à Georgetown, capital da Guiana, uma estrada muito difícil, pois durante a noite anterior havia chovido muito.

O calor era insuportável, a estrada horrível, passamos por muitos atoleiros, locais alagados, areia fofa, lama, chuva, tudo isso em um lugar inóspito que não passava uma viva alma. Se tivéssemos a infelicidade de estragar a moto lá, não haveria socorro.

Em certos momentos minha moto começou a ferver, eu deligava um porco e depois ligava novamente para sairmos daquela situação.

Gastamos dez horas para chegar em Linden, cerca de 200km. Depois disso foi só alegria, pois de Linden a Georgetown são aproximadamente 100km de asfalto.

Ao chegar em Georgetown, conhecemos Jessica, uma guianense cujo pai era brasileiro, por isso ela falava português e ela foi nossa guia e tradutora para hospedarmos no Sleppin Hotel.


Travessia de trecho alagado


muita lama, areia e diversão...


Chegada em Georgetown, Jéssica nossa guia e Slippin Hotel


17º dia – Georgetown-GUI/Georgetown-GUI (20/08/2018)


Acordamos em Georgetown, tomamos o café e saí junto com o Gilberto e fomos em busca de uma agência de turismo.

O Gilberto precisava cambiar dinheiro, então fizemos contato com o Geleia e fomos ao seu encontro. Na Guiana o garimpo é permitido, e o Geleia comprava e vendia ouro, fazia câmbio, resolvia qualquer problema. Ao chegarmos no escritório do Geleia, parecia uma cena de filme, várias grades, câmeras, seguranças armados com metralhadora, me senti super seguro.

Depois que o Gilberto fez o câmbio, o Geleia nos passou a referência de uma agência de turismo e fomos lá.

Conhecemos o Léo, neto de brasileiro que também falava português. Na agência dele, não havia mais vagas, mas conseguimos duas vagas em outra agência por intermédio dele e ainda fechamos o táxi, cuja motorista era a avó do Léo.

Nosso passeio ficou agendado para o dia seguinte e o destino era a Kaieteur Falls. Deixamos tudo organizado e retornamos para o hotel.

Antes do retorno, fizemos um tour na cidade e visitamos a Catedral Anglicana St. George’s, uma imponente construção do século XIX, toda feita em madeira travada. É uma das igrejas de madeira mais altas do mundo, com altura de 43,50 metros.


Catedral Anglicana St. George’s


18º dia – Georgetown-GUI/Georgetown-GUI (21/08/2018)


Hoje foi o dia “D”. Tomamos o café, que mais parece um almoço e saímos às 11:00h em direção ao aeroporto.

Nosso grupo de passeio foi formado por tchecos, eslováquios e dois brazucas. Após 50 minutos de voo, em nosso avião, um teco-teco em boas condições, deu um rasante sobre a cachoeira.

Sim! A Kaieteur Falls é linda!

Seu tamanho impressiona. São 226 metros de altura, um verdadeiro espetáculo!

Pousamos e entramos no Parque Nacional Kaieteur. Fizemos uma trilha pela mata por cerca de uma hora, parando e tirando fotos da fauna e da flora, até chegarmos no mirante e apreciarmos a cachoeira.

Ao regressarmos me posicionei estrategicamente na janela do avião para poder filmá-la do alto, foi perfeito.

Ao chegarmos de volta no aeroporto, o Léo da agência de turismo foi nos buscar e nos deixou no hotel. Ele disse que durante a tarde houve um tremor, mas como estávamos no voo, nem sentimos.


Kaieteur National Park


19º dia – Georgetown-GUI/Skeldon-GUI (22/08/2018)


Partimos por volta das 6:30h, nossa missão era deixar a Guiana e chegar ao Suriname, mas pense naqueles dias que o universo conspira contra nossa vontade...

Então, a priori minha moto começou a apresentar problemas no início da viagem, perdendo potência e dando alguns apagões. Logo percebi que se tratava de algum problema relacionado a admissão ou explosão.

Voltamos, pois, sabíamos onde havia um eletricista de moto. O que não esperávamos era que o dia fosse feriado nacional, “o dia do sacrifício”.

Mas fomos salvos por um bom samaritano que resolveu o problema. Ele tirou o filtro de ar, que literalmente era terra pura, lavou com gasolina e ainda trocou a vela por uma vela de CB 500 usada, mas que na hora foi o que salvou.

Fato é que saímos em disparada para não perder a travessia da balsa para o Suriname, mas quando chegamos para fazer os trâmites na fronteira, fomos informados que precisávamos pagar um seguro para rodar no Suriname e que esse seguro é vendido na Guiana.

Como era feriado, o banco estava fechado e tivemos que dormir na fronteira para resolver essa pendência somente no dia seguinte.

Nos hospedamos em um muquifo, mas não nos restava outra alternativa a não ser esperar o dia amanhecer para sairmos dali.



20º dia – Skeldon-GUI/Paramaribo-SUR (23/08/2018)


O hotel em que dormimos era próximo ao banco e logo cedo fomos lá para frente esperando a hora de abrir. Fomos os primeiros clientes e compramos o seguro.

Depois disso fomos para a fronteira e essa mais parecia um encontro de motos.

Tinham várias motos, de cilindrada muito mais altas. Fizemos muitas amizades e embarcamos para a travessia.

Depois de passarmos para o solo surinamês, fomos em direção a Paramaribo, nos revezando com os novos amigos.

Chegamos em Paramaribo por volta das 17:00h, fizemos câmbio e fomos para um hotel.

A princípio imaginávamos ficar um dia em Paramaribo para passear e conhecer o local, mas como ficamos tempo demais na Guiana, isso não foi possível e nossa estadia no Suriname durou apenas uma noite, mas foi o suficiente para colocarmos nosso idioma holandês em dia.



21º dia – Paramaribo-SUR/Kourou-FRG (24/08/2018)

Partimos de Paramaribo e fomos em direção a Albina, divisa com a Guiana Francesa. Ao fazermos os trâmites, fomos informados que precisaríamos de um seguro para andarmos com a moto no país vizinho.

Aí começou um caos. Fomos ao banco no Suriname e não faziam seguro de moto, somente de carro. Deixamos as motos então no Suriname e atravessamos de balsa para Guiana Francesa, fomos a pé no banco, em agências de seguro, mas tudo em vão. Não faziam seguro para moto. Voltamos para o Suriname, explicamos a situação e o rapaz da aduana deixou a gente embarcar com as motos para a Guiana Francesa.

Desembarcando lá, fizemos todo o processo de migração e em momento algum pediram a merda do maldito seguro.

Seguimos viagem e chegamos à cidade de Kourou às 20:00h. Achar um hotel naquela cidade foi um sacrifício, tudo lotado.

Conseguimos nos hospedar no hotel Atlantis.



22º dia – Kourou-FRG/Kourou-FRG (25/08/2018)


Acordamos cedo e fomos direto para o porto, local de onde saem os passeios. Como não havíamos feito reserva, ficamos esperando na possibilidade de que alguma pessoa que tivesse comprado passeio não se apresentasse pois o passeio estava lotado.

Por sorte sobraram duas vagas, logo falei: “São nossas!”, então o Gilberto e eu embarcamos no catamarã para conhecermos as “ilhas da salvação”.

Esse local abrigou um complexo penitenciário nos tempos napoleônicos e por ali passaram mais de 80.000 presos. Alguns deles nunca saíram de lá e foram enterrados em um cemitério na ilha.



23º dia – Kourou-FRG/Oiapoque-AP (26/08/2018)


Partimos de Kourou, mas antes pudemos apreciar mesmo que de fora o Centro Espacial das Guianas, local onde são lançados os satélites franceses. Infelizmente não foi possível visitá-lo pois era domingo, e domingo não abre.

Seguimos viagem e fomos para a fronteira com o Brasil. Ao chegarmos na ponte, as cancelas estavam fechadas, pois era domingo, e domingo não abre.

Procuramos então a Polícia de Fronteira para carimbar nossos passaportes, mas fomos alertados que uma vez carimbados não poderíamos dormir em solo francês.

Procuramos então um barqueiro que topasse fazer a travessia levando as motos. A princípio eu estava contrário a essa ideia lançada pelo Gilberto, mas quando pensei que se ficasse mais uma noite na França teria que pagar a hospedagem em euros, isso pesou como fator decisivo e eu topei.

Depois de encontrar o barqueiro, combinamos o preço e voltamos à polícia para carimbar os passaportes.

Embarcamos então as motos uma em cada barco, atravessamos e ao chegar do lado brasileiro nos deparamos com o barco da polícia federal que saía em diligência.

Desembarcamos as motos e fomos para Oiapoque, onde sacamos dinheiro e nos hospedamos em um hotel.



24º dia – Oiapoque-AP/Santana-AP (27/08/2018)


Partimos de Oiapoque com destino a Macapá, após um breve trecho de asfalto, voltamos a rodar em estrada de terra, foram cerca de 200km até chegar no asfalto novamente.

Paramos para almoçar no restaurante Trevão, em Calçoene. Lá fomos informados que os barcos que faziam a travessia saiam de uma cidade próxima a Macapá chamada Santana.

Fomos então para Santana, e chegar lá fomos direto para o porto. Lá estava atracado o “Leão do Marajó”, a embarcação que partiria na manhã seguinte e nos levaria para Belém.

Compramos um camarote, a suíte nº 9. Quando chegamos, ainda estavam bombeando água para o casco, esse é um procedimento para que a embarcação fique mais baixa para que os veículos possam subir. Só fomos dormir após embarcarmos as motos.



25º dia – Santana-AP/Embarcação Leão do Marajó (28/08/2018)


Acordamos as 7:00h e fomos tomar café da manhã no porto. O horário previsto para a saída do navio era às 10:00h, mas a partida ocorreu somente às 11:00h.

Ao som de uma música brega, num som pra lá do máximo volume, e aos três toques do apito do navio, partimos para quase 30 horas de viagem. Com destino à Belém, navegando pelo rio Amazonas, contornando a ilha de Marajó.

O Navio carregava na parte de baixo os veículos a carga e ao fundo era a cozinha, no primeiro e segundo andares ficavam os camarotes e as redes, por fim na cobertura era a lanchonete.

A viagem em si é tranquila, o difícil mesmo é aguentar o som ligado tocando ótimas músicas em um volume ensurdecedor.



26º dia – Embarcação Leão do Marajó/Belém-PA (29/08/2018)


Acordamos, tomamos o café e comemos um açaí com farinha, depois fomos para a lanchonete e conhecemos uns amigos. Ficamos conversando, esperando o tempo passar.

Um pouco depois fomos almoçar e por volta das 14:00h chegamos em Belém, desembarcamos no porto antigo e fomos em busca de um hotel.

Nos hospedamos no centro e ainda deu tempo para conhecer o Forte do Presépio, o Mercado Ver o Peso e apreciamos o pôr do sol na Estação das Docas.



27º dia – Belém-PA/ Belém-PA (30/08/2018)


Hoje foi um dia típico de turista, fomos em vários pontos. Primeiro a Catedral de Nazaré, local onde termina a procissão do Círio, depois fomos ao Teatro da Paz, daí então nos deslocamos para o Mangal das Garças, mas chegando lá estava fechado, pois havia ocorrido um incêndio na cozinha do Mangal no dia anterior. Continuamos andando e fomos ao Portal da Amazônia, onde tomamos uma água de coco.

Almoçamos no Palafita, onde pudemos apreciar uma comida típica, o “Pato no Tucupi”. Dizem que deixa a língua dormente, mas eu não senti nada, embora o pato estivesse muito gostoso.

Visitamos uma exposição de arte moderna na Casa das Onze Janelas, tomamos uma cerveja no Mercado Ver o Peso e fizemos um passeio de barco ao entardecer, partindo da Estação das Docas.



28º dia – Belém-PA/Ribamar Riquene-MA (31/08/2018)


Saímos às 8:15h pretendíamos rodar 730km para eliminar um dia de viagem, mas rodamos 640km.

Tudo estava tranquilo, quando em algum momento eu ultrapassei o Gilberto e abri um pouco. Quando cheguei em um posto de combustível eu parei na entrada, de forma a esperar o Gilberto. Ele chegou puto, esbravejando, reclamando que eu não o esperava.

Aí eu pensei com os meus botões, o que eu estava fazendo na entrada do posto se não era esperar ele...

Enfim, paramos no primeiro próximo hotel e o clima ficou uma beleza... ninguém fala com ninguém. Tentei puxar assunto, mas cabeça dura é foda.



29º dia – Ribamar Riquene-MA/Natividade-TO (01/09/2018)


Saímos as 7:15h com a certeza de que hoje nos separaríamos. Fomos juntos até Palmas, local onde o Gilberto ficou e eu segui viagem.

Como o Gilberto possuía mais alguns dias de férias ele ficou em Palmas com o intuito de visitar o Jalapão.

Eu segui caminho até Natividade.



30º dia – Natividade-TO/São Domingos-GO (02/09/2018)


Parti de Natividade às 7:30h, meu destino era São Domingos, para conhecer o Parque Estadual da Terra Ronca, um dos maiores complexos de cavernas da América Latina.

Cheguei em São Domingos por volta das 11:30h, almocei e segui em direção ao parque.

Conheci primeiro a Caverna Angélica, e depois fui à Terra Ronca. Os lugares são fascinantes, principalmente a Terra Ronca, uma abertura gigantesca.

Voltei cerca de 12km e me hospedei na pousada São Mateus, fiz contato com um guia e marquei o passeio para o dia seguinte.



31º dia – São Domingos-GO/Cavalcante-GO (03/09/2018)


Saí cedo com o guia e fomos para a caverna São Mateus. Chegar lá não foi fácil pois como minha ideia era partir depois do passeio eu já havia colocado toda bagagem na moto e a estrada era puro areião, moral da história levei mais um tombo na viagem, mas aos trancos e barrancos chegamos.

Dizem que a Gruta de São Mateus é a caverna mais bonita do Brasil, e realmente é!

Possui vários salões enormes, estalagmites, estalactites, tem até um rio que corre lá dentro.

Um local realmente surpreendente.

Saindo de lá segui caminho e continuei minha viagem rumo a Chapada dos Veadeiros. Cheguei em Cavalcante no anoitecer.



32º dia – Cavalcante-GO/Brasília-DF (04/09/2018)


Acordei cedo, tomei café e fui para a Comunidade dos Kalungas, conhecer a cachoeira de Santa Barbara.

Chegando lá é necessário contratar um guia da comunidade e existe também um limite de visitantes diários, mas como era uma terça-feira, não estava cheia.

Quando cheguei, estava bem cedo e a água que é cristalina apresentava um tom esverdeado, conforme o sol subia, o tom da água foi mudando para azulado.

A cachoeira é linda!

Saí por volta das 11:00h e segui até meu destino final, Brasília.

Realmente essa foi uma aventura que valeu muito a pena e ficará guardada na memória.

Foram mais de 11.000km percorridos e desses, 4.000km de terra.



 
 
 

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